The Orville: a série que não é Star Trek, mas poderia ser

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The Orville: a série que não é Star Trek, mas poderia ser

Escrevo esse texto sobre a nova série de ficção científica do canal Fox sabendo que estou mexendo num vespeiro, a começar pelo título.

A última série do universo Star Trek foi ao ar entre 2001 e 2005. Star Trek: Enterprise se passava antes da série clássica e mostrava os primeiros passos da humanidade em sua jornada exploratória do universo e a infância da Federação dos Planetas Unidos.

Com quatro temporadas, a saga do Capitão Archer fechou um ciclo de 39 anos (com algumas interrupções) de aventuras televisivas da franquia criada por Gene Roddenberry.

Em 2009, Star Trek voltou aos holofotes com o reboot orquestrado por J. J. Abrams, que criou uma nova linha temporal e, com isso, adequou a franquia aos novos tempos.

Há quem goste, há quem deteste.

A questão é que o sucesso da nova franquia nos cinemas mostrou aos executivos de plantão que estava na hora de ganhar uns trocados também na telinha, veículo original da série.

Então veio Star Trek Discovery, numa parceria da CBS com a Netflix. Mas não vim aqui para falar dessa nova empreitada da Frota Estelar – isso fica para outro post.

The Orville, a série de ficção científica criada e protagonizada pelo prolífico Seth McFarlane, estreou um pouco antes. E dividiu opiniões.

Tudo em The Orville lembra Star Trek. Da premissa de naves estelares exploradoras, passando por uma federação de planetas unidos e chegando a uma raça guerreira como inimiga mortal, parece que estamos assistindo uma nova série dentro do universo ST.

A diferença é o humor. Claro, estamos falando de Seth McFarlane, o criador de séries como Family Guy, American Dad e de filmes como Ted. Mas para aqueles detratores videntes que odiaram a ideia da série afirmando que ela seria uma zuêra que desconstruiria toda os clichês a seriedade de ST, TO é uma bofetada.

Claro, o humor está lá. As tiradas engraçadinhas, às vezes em contextos onde não cabem uma piada, incomodam um pouco no início. Mas aí você vai enxergando além disso, vai lendo nas entrelinhas e, de repente… voilá!!!! Temos uma série que apresenta, em essência, os valores de ST.

Esta cena é uma homenagem direta a Star Trek

Seth McFarlane, como fã de ST, presta uma bela homenagem à criação de Roddenberry. Se o primeiro episódio é mais do mesmo, servindo apenas para apresentar os personagens e estabelecer o cenário onde as histórias se passarão, o segundo apresenta uma melhora substancial, principalmente pelo final hilário que me fez gargalhar alto!

Mas é o terceiro episódio que me fisgou. Praticamente sem piadinhas fora de hora, About a Girl é Star Trek em sua mais pura essência por apresentar um assunto que gera tanta discussão nas redes sociais: a questão das relações de gênero. Curioso? Em breve, farei um resumo dos cinco primeiros episódios!

Se continuar nessa pegada, alternando episódios mais leves com outros mais sérios (e a concepção de seriedade aqui é bem flexível), The Orville periga ser uma das melhores séries de Star Trek que não é Star Trek, mas poderia ser.

O elenco principal da série: dá prá sentir a torta de climão entre o capitão Mercer e a primeira-oficial Grayson.

Como já dito, Seth McFarlane protagoniza o Capitão Ed Mercer, que comanda a nave estelar Orville para a União dos Planetas; Adrianne Palicki, vinda diretamente da série Marvel’s AoS, é a sua primeira-oficial Kelly Grayson – a treta aqui é que ela foi sua mulher e a separação se deu porque Mercer a pegou na cama com um alien azul; Peter Macon é Bortus, o segundo oficial da Orville, originário do planeta Moclus, que tem apenas machos e se reproduz de modo assexuado (eles botam ovos!); Halston Sage é a tenente Alara Kitan, da raça Xelayan, cuja característica é ter superforça; Mark Jackson é a voz de Isaac, um ex-integrante do Daft Punk ser da raça não-biológica Kaylon, analíticos e cerebrais que consideram toda forma de vida biológica como inferior; a Dra. Claire Finn é interpretada por Penny Johnson Jerald; e os pilotos (e idiotas de plantão, responsáveis por boa parte das tiradas engraçadinhas) Gordon Malloy e John Lamarr são vividos, respectivamente, por Scott Grimes e J. Lee.

Resumindo: deem uma chance a série – garanto que vocês vão se divertir.

Dica: sabia que você pode gostar de Star Trek Discovery e de The Orville ao mesmo tempo?

Dica II: mas se você não gostar tudo bem. Só não é legal ficar denegrindo a inteligência e o gosto de quem gostou. Se você é fã de Star Trek, sabe que isso é muito, muito errado.

Vida longa e próspera!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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