MEGA – Um ano após o fechamento do Megaupload, Dotcom coloca novo projeto no ar

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MEGA – Um ano após o fechamento do Megaupload, Dotcom coloca novo projeto no ar

O site criado por Kim Dotcom após um ano do trancamento do Megaupload pelo FBI, já está no ar desde o fim de semana. Extremamente esperado em todo o mundo, o MEGA já tem milhares de internautas logados – incluindo este blogueiro.

Comecei a testar o serviço hoje, e aos primeiros testes me pareceu algo semelhante ao Dropbox, com uma diferença básica mas MUITO importante. Enquanto o Dropbox e outros concorrentes deste tipo de serviço de armazenamento de ficheiros em nuvem funciona como uma espécie de HD flutuante (Cloud), em que você torna acessível estes arquivos em qualquer ponto de acesso, o MEGA possibilidade a conexão entre pessoas através do adicionamento via e-mail. 

Ou seja, além de uma nuvem com 50 Gb de memória (para membros gratuitos, podendo chegar a 1 Tb para membros pro), o MEGA também promete ser uma espécie de rede interpessoal com grande potencial de privacidade, baseada em sistemas de encriptação dos arquivos que cada usuário sobe para suas pastas – acessíveis apenas quando permitido pelo próprio usuário.

Lá no MEGA a equipe de Dotcom se define da seguinte forma:

Somos um grupo dedicado de técnicos que tivemos o tempo, a oportunidade e o acesso à internet para criar um serviço de armazenamento na cloud incrível que ajuda a proteger a tua privacidade. Nós programamos este serviço de Internet a partir do zero, em Auckland, na Nova Zelândia. Ao contrário da maioria de nossos concorrentes, nós utilizamos uma tecnologia de encriptação topo de gama onde tu, apenas tu, controlas as chaves. O nosso grupo de design inclui Kim Dotcom, Mathias Ortmann, Bram van der Kolk e Finn Batato. O nosso CEO Tony Lentino, um veterano na indústria, tem imensa experiência na gestão de domínios e registros globais de renome. Todos nós esperamos que gostes.

O uso do MEGA ainda está um pouco difícil de ser feito por causa de algumas aparentes instabilidades do servidor. Muita gente criando contas e upando arquivos ao mesmo tempo deve estar dando uma enorme satisfação e, ao mesmo tempo, muito trabalho para os caras.

Mas com paciência e sem querer sobrecarregar o site, criei minha conta e fiz apenas um teste de subri os ficheiros de um filme antigo. Como estava muito lento, deixei para fazer isto em outra hora ao longo da semana enquanto vou testando as funcionalidades do MEGA – que tem tudo para aposentar o meu simplório Dropbox com pouquíssima capacidade de armazenamento.

Aos jornais Kim Dotcom disse que:

 Legalmente, não há nada lá que poderia ser usado para nos fechar. O site é tão legítimo e tem tanto direito de existir quanto Dropbox, Boxnet e outros rivais.

Dotcom MEGA FBIEssa preocupação em afirmar a legalidade do serviço é fácil de entender: o cara responde a um processo absurdamente pesado, acusado de pirataria por causa do Megaupload – e as indústrias do entretenimento do mundo todo querem colocar sua cabeça num espeto pra assar como se fosse um marshmallow de escoteiros da sessão da tarde.

O criador do MEGA disse também que não está dando uma dedada para o governo norteamericano. Pode ser que não esteja sendo cínico na declaração (e se estiver, qual o problema?!?) mas que dá pra ouvir sua gargalhada ecoando em todos os continentes… isso dá.

Só que essa gargalhada não é apenas a catarse de Dotcom, é a catarse de milhões de pessoas que lutam diariamente contra as políticas de trancamento do livre compartilhamento de arquivos e privacidade na rede.

Aaron SwartzE neste contexto, é difícil não lembrar do suicídio de Aaron Swartz dez dias atrás. Esse cara, que participou da criação de ferramentas como o RSS e da fundação de organizações como o Creative Commons, disse certa vez as seguintes palavras – que deixo aqui como um caso de luta contra as práticas governamentais de perseguição e punição de indivíduos que fizeram a diferença na história da humanidade, para que servissem como “exemplos” morais para a sociedade (como foram um dia Sócrates e mesmo Tiradentes):

Eu sinto fortemente que não é suficiente simplesmente viver no mundo como ele é e fazer o que os adultos disseram que você deve fazer, ou o que a sociedade diz que você deve fazer. Eu acredito que você deve sempre estar se questionando. Eu levo muito a sério essa atitude científica de que tudo o que você aprende é provisório, tudo é aberto ao questionamento e à refutação. O mesmo se aplica à sociedade. Eu cresci e através de um lento processo percebi que o discurso de que nada pode ser mudado e que as coisas são naturalmente como são é falso. Elas não são naturais. As coisas podem ser mudadas. E mais importante: há coisas que são erradas e devem ser mudadas.

Necessário dizer que, diferentemente de Swartz, não vejo Kim Dotcom como um genial ativista e idealista, mas como um grande empresário que desenvolve seus projetos aprofundando as ideias libertárias difundidas por Swartz.

___________

Nós próximos dias iremos fazer testes mais profundos no MEGA para avaliar o funcionamento da nova ferramenta. Se você também quer fazer uma conta, é só clicar em mega.co.nz.

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blogueiro, historiador; planejamento digital, coordenação de projetos em mídias sociais; editoração, redação digital e Tricolor do Arruda.

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