CRÍTICA | Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

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CRÍTICA | Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

“Cara, eu não acredito que eu vendo um filme de Os Cavaleiros do Zodíaco no cinema!”. Essa foi a frase que ecoou na minha mente no momento em que eu vi os primeiros segundos desse filme. E eu sei que mesmo que não agrade a todos, certamente movimentou as coisas para os santos de Athena. E isso pode ser só o começo.

Nos últimos anos nós viemos sendo brindados com várias tentativas da Toei Animation e do próprio criador Masami Kurumada de manter viva a obra de “Os Cavaleiros do Zodíaco“. Tivemos a continuação da saga clássica no mangá Next Dimension (ainda sendo publicada), o passado em Lost Canvas e também o controverso anime Saint Seiya Ômega, que trazia um futuro distante dos cavaleiros, além de um traço e uma pegada mais infantil. E agora, em 2014, em pleno aniversário de 20 anos da vinda da obra ao Brasil, eis que é lançado o filme: “Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário”.

Pelos trailers que foram lançados acredito que todos já saibam que a história trata-se de uma releitura da famosa Saga do Santuário, mais precisamente da Batalha das Doze Casas. Antes de tudo é preciso avisar que o filme é um reboot. Ou seja, é uma história com uma mesma base, porém com um desenrolar completamente diferente (por exemplo, compare o Homem-Aranha de Sam Raimi com o Espetacular Homem Aranha, de Mark Webb).

Aviso: Esse texto possui pequenos spoilers do filme, mas preferi citar o mínimo possível, para que cada um tire sua própria conclusão, inclusive das mudanças nele.

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Então, tendo em mente que o filme é um reboot, deixe a saga clássica em casa e vá aproveitar o filme como algo totalmente novo, porque é isso que ele é.

De cara já podemos afirmar, assim como o dublador do Seiya, Hermes Barolli, disse: “Esse é o produto mais belo de Cavaleiros do Zodíaco já feito”. E sim, ele é. Cenários, armaduras, e principalmente as lutas, estão esteticamente perfeitas. Nesse filme nós podemos perceber um Santuário com uma aparência mais “moderna”. Em certo momento do filme temos uma visão aérea dele, que parece se situar em alguma outra dimensão, com construções belíssimas que desafiariam as leis da física na Terra.

O filme começa com a perseguição à Aiolos, que carrega a pequena Athena em seu colo. A nova versão dessa perseguição vai te surpreender, e com certeza te deixará de boca aberta com os efeitos logo de cara. Logo depois da alucinante perseguição nós caímos na primeira parte do filme que passa rapidamente por Mitsumasa Kido e chegamos à era atual. Conhecemos um pouco mais de Saori Kido, e somos introduzidos aos protagonistas: Seiya, Shiryu, Hyoga e Shun (Ikki só mais tarde). Vale destacar que dessa vez eles têm 16 anos e  leves mudanças em suas personalidades, ponto positivo para o filme – na verdade essas mudanças são apenas traços mais acentuados.

Outro ponto sobre a animação é a expressão dos personagens: podemos ver aqui, como alguns sites já disseram, uma mistura entre os filmes de Final Fantasy (melhorados), e algumas cômicas expressões à la Pixar. Sim, o filme tem esses momentos engraçados, e eles caem muito bem. E obviamente, não podemos esquecer das lutas, essas sim, visualmente alcançam um limite entre beleza e violência. Inclusive, prestem atenção na forma como o cosmo se projeta para fora do corpo e torna-se o golpe, é uma nova visão bem interessante.

Orgulho da dublagem brasileira:

A equipe da DuBrasil mais uma vez tratou a série com todo o devido respeito, tanto que conseguiu trazer todo o elenco clássico de volta para dublar o filme (exceções do falecido e saudoso Valter Santos, substituído por Mauro Castro, no papel de Camus – que não deixou a desejar em nada – e do papel do Milo, que se tornou uma Amazona nesse filme). É preciso citar como o estúdio teve a preocupação em “localizar” a dublagem, adaptando várias expressões para nosso vocabulário. Mais sobre o trabalho da DuBrasil pode ser conferido no link abaixo, no making of que eles mesmos disponibilizaram (contém spoilers).

O maior dos problemas do filme: ele só possui 1h30.

Sério, seria muito difícil conseguir condensar 74 episódios em apenas 93 minutos, para ser mais preciso. Com isso, temos cortes, muitos cortes. Cenas icônicas, como Shiryu se cegando pela primeira vez contra Algol de Perseu não acontecerão, a batalha das doze casas é o foco. Logo eles se deparam com o primeiro cavaleiro de Ouro. Aiolia de Leão, assim como no anime/mangá é enviado para assassinar Athena e recuperar a armadura de Sagitário. Aqui não temos muitas diferenças para o “cânone” da série, e logo temos a ponte para a ida dos cavaleiros ao Santuário, já conhecida por todos nós, com só algumas leves mudanças.

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Oque faltou no filme? As lutas? Os personagens?

Desse ponto em diante entramos na lendária Batalha das Doze Casas. E é aqui que temos as maiores controvérsias desse filme. Em sua base a história é muito parecida. Há o sentido de urgência, há batalhas duríssimas e principalmente, há o sentimento de amizade dos cavaleiros, muito bem retratado aqui no filme, e com leves doses de humor. Vendo o filme nós acreditamos que eles são amigos.

As lutas aqui são intensas e emocionantes (Hyoga contra Camus não podia faltar!) como nunca vimos na maior parte da série clássica e spin offs. Porém, é aqui que temos mudanças controversas, como uma exagerada mudança na personalidade do cavaleiro da mais sombria das casas (oque revoltou alguns fãs – confesso que apesar do exagero, curti a acentuação), ou o mais belo dos cavaleiros e sua participação. Algumas lutas que vimos na saga clássica não ocorrem, enquanto outras inéditas acontecem.

Personagens importantíssimos outrora têm pequenas – ou quase nulas – participações aqui, enquanto outros participam mais. Por um lado é interessante ver cavaleiros como Aldebaran sendo retratados de uma forma mais detalhada, mas é uma pena que protagonistas queridos ficaram tão pouco tempo de tela (e nesse ponto acredito que você já sabe que a única mudança na “line up” dos cavaleiros é que Milo nesse filme na verdade é uma amazona – diga-se de passagem, a mudança foi bem vinda).

Chegando ao fim das doze casas, temos o fim apoteótico com uma das maiores batalhas que já vi entre cavaleiros. Devo dizer que o fim toma proporções muito maiores que o que conhecíamos do anime/mangá, o que tem dividido as opiniões dos fãs.  Como sabemos, os cavaleiros sempre superam as adversidades. E é ali que está o seu maior poder, seu companheirismo e amizade. Temos cenas emocionantes, uma belíssima homenagem a tudo que a obra representou e representa para os milhares de fãs ao redor do mundo.

Em tempo, ao final do filme temos algumas mudanças na contagem dos mortos e vivos em comparação com o anime/mangá, oque abre interessantes caminhos para o futuro (prestem atenção na borboleta).

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O filme estreou no dia 11 de setembro e de acordo com o portal Yahoo! Cinema foi a maior bilheteria estreante (mais de R$ 3 milhões de reais). No total atrás apenas de “Hércules”, que estreou semanas antes.

Com todos os seus erros e acertos, eu como fã desde a época da TV Manchete posso dizer que é um filme divertidíssimo e ótimo para matar as saudades dos cavaleiros. Como maior ponto negativo, destaco novamente a duração do filme, e a transformação de certos personagens importantes em meros coadjuvantes, esses fatores, e a mudança na casa mais sombria do santuário me fazem tirar alguns pontos do filme, além da trilha sonora, que deixa a desejar. Mas as espetaculares lutas, o visual lindo, as personalidades de cada personagem e especialmente, o ótimo trabalho da dublagem brasileira, não me deixam dar menos de 3 canecas de café fumegante para esse filme e mais 1 para a dublagem brasileira!

 

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Estudante de Jornalismo, baixista, amante de boa música e de bons livros. Nada melhor que ouvir um bom e velho heavy metal oitentista lendo um bom livro de fantasia/suspense.

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